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Spe Salvi

 SPE SALVI – A transformação da Fé/Esperança Cristã no Tempo Moderno

O Papa Bento XVI inicia este trecho da Encíclica fazendo um retorno na história da humanidade, ele vai percorrendo um caminho que se inicia desde as Grandes Navegações do Século XVI, passando pelos movimentos do Iluminismo, Racionalismo e Modernismo, até chegar à Revolução Industrial e Revolução Francesa. Incluindo ainda em sua reflexão o Comunismo, o Papa emérito nos faz perceber a evolução das sociedades e seus conflitos.

Segundo Bento XVI, as grandes transformações provocadas pela descoberta de novas terras, desenvolvimento de novas tecnologias e invenções, avanço da ciência e progresso, foram modificando as motivações da Fé humana. O ser humano se via capaz de resolver suas próprias questões, capaz de percorrer grandes distâncias, de tratar doenças que pareciam incuráveis, de utilizar técnicas que o permitiam produzir mais. Agora com tantas descobertas e uma ciência cada vez mais eficiente, o homem colocava a sua confiança no progresso e na razão. O ser humano passou a chamar a Fé de Progresso, a razão e a Liberdade pareciam garantir por si mesmas uma nova comunidade humana perfeita.

O Racionalismo defendido por Descartes, Kant, Spinoza e tantos outros, era uma corrente filosófica que defendia que o conhecimento só era obtido se viesse por meio da razão, não havia espaço para a Fé, para a Teologia, mas a racionalidade era a única fonte segura que os homens deveriam seguir.
Com o tempo, porém foi se percebendo que embora a tecnologia fosse aumentando, os problemas sociais também cresciam, ou seja, não estava na razão a resolução para os problemas do mundo. Em meados do século XIX, por exemplo, com a Revolução Industrial, foi surgindo uma classe social extremamente explorada: o proletariado, que sofria com as péssimas condições de trabalho e os baixos salários. Enquanto o mundo avançava cada vez mais em tecnologia, maiores eram as desigualdades.

Surgiram então novas teorias que procuravam explicar esta situação em que o ser humano mesmo rodeado de tantos avanços, ainda vivia problemas antigos. O Socialismo/Comunismo de Mark e Engels se tornou uma dessas teorias que foi tendo cada vez mais adeptos. Para o Comunismo, o progresso não viria da Razão ou da Ciência, mas sim da Política. Ou seja, agora a chave para um mundo feliz e sem desigualdades viria por meio da tomada do poder político, pelas “massas”, pelo proletariado; o povo é quem deveria tomar os rumos da política.

Percebemos que não foi bem assim, nos lugares onde tentou se implantar o Comunismo, na verdade acabou se instaurando uma ditadura que limitava os direitos das pessoas e não dava espaço para manifestações de Fé. A queda do Muro de Berlim e o colapso da URSS em 1991 são símbolos de que a resposta também não estava no Comunismo. Segundo Bento XVI: “o Comunismo esqueceu-se de que o homem permanece sempre homem”. Esqueceu que o homem por muitas vezes se utiliza de forma errada da sua liberdade, se torna egoísta e orgulhoso.


O homem, por sua natureza, tem necessidade de Deus, do contrário, fica privado de Esperança, a Razão, a Política, o Dinheiro, nada pode substituir essa necessidade. Todas essas coisas e situações deixam um vazio que é incapaz de dar sentido e satisfazer a Esperança humana que só é plenamente satisfeita por um amor absoluto.

Percebemos que a razão necessita da Fé para chegar a ser totalmente ela própria: Razão e Fé precisam uma da outra para realizar a sua verdadeira natureza e missão. Necessitamos de Cristo para iluminar a sua verdadeira natureza e missão. Necessitamos de Cristo para iluminar a nossa vida senão tudo permanecerá desprovido de sentido.

O reto estado das coisas humanas, o bem-estar moral do mundo não pode jamais ser garantido simplesmente mediante as estruturas, por mais válidas que estas sejam. Segundo Bento XVI: “O homem não poderá jamais ser redimido simplesmente a partir de fora”. O ser humano necessita do amor incondicionado, de um amor que nada pode destruir. Nesse sentido, quem não conhece a Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida.

“Lembrai-vos de que naquele tempo estáveis sem Cristo, sem direito da cidadania em Israel, alheios às alianças, sem esperança da promessa e sem Deus, neste mundo.” (Ef 2,12)

Em resumo: o homem necessita de uma Esperança que vá mais além. Precisamos das esperanças – menores ou maiores - que, dia após dia, nos mantém a caminho. Mas sem a grande Esperança, que deve superar todo o resto, aquelas não bastam. Deus é o fundamento da Esperança, pois Ele mesmo é a nossa grande Esperança.

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por Matheus Santos
Coordenador Projeto Nova Juventude - CCS

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